Com a redução na oferta no mercado interno, há aumento no preço, mesmo o Brasil não tendo a epidemia de gripe aviária em suas granjas, de acordo com o que garante o Ministério da Agricultura e Pecuária

Com apenas um único caso de Influenza Aviária (IA)gripe aviária em galinha criada comercialmente no Brasil, ocorrido em 17 de julho de 2024, no município de Anta Gorda (RS) e devidamente controlado, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os consumidores brasileiros estão pagando mais caro devido a IA nos Estados Unidos e na Europa. Isso porque os donos de granjas brasileiros estão interessados em ganhar mais dinheiro exportando os ovos e reduzindo a oferta no mercado interno.
De acordo com dados atualizados pelo Mapa até às 19 horas deste último domingo (16), desde 6 de janeiro de 2022 foram, investigados em todo o Brasil 3.798 suspeitas de infecção por gripe aviária, sendo coletadas 1.040 amostras e 4 casos em, investigação. Desse total foram confirmados 166 focos de Influenza Aviária de Alta Patogeni cidade (IAA), sendo que a maioria das aves domésticas e silvestres, especialmente as aquáticas (principais reservatórios).
Produtores querem elevar em 62% as exportações de ovos neste ano
A própria entidade nacional que representa os donos de granjas, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) está comemorando o aumento nas exportações. “Os embarques de ovos seguem em ritmo ascendente, especialmente pela demanda de mercados como Estados Unidos, Japão e México. Mesmo representando menos de 1% do total produzido pelo Brasil, o incremento do volume exportado indica a confiança internacional no setor produtivo brasileiro, seja pela qualidade dos produtos ou pelo status sanitário da nossa avicultura”, afirma o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
As exportações brasileiras de ovos (incluindo produtos in natura e processados) aumentaram 57,5% em fevereiro, informa a ABPA. Ao todo, foram embarcadas 2.527 toneladas no segundo mês deste ano, contra 1.604 no mesmo período do ano passado.Em receita, os embarques brasileiros de ovos totalizaram US$ 4,936 milhões (R$ 28.348.928,80), saldo 63,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com US$ 3,024 milhões (R$ 17.367.739,20).
“Já no primeiro bimestre foram exportadas 4.884 toneladas, número 38,2% maior em relação ao obtido no mesmo período do ano passado, com 3.535 toneladas. No mesmo período, houve incremento de 41,8% na receita de exportações, com total de US$ 9,122 milhões em 2025, contra US$ 6,433 milhões em 2024’, diz em sua entidade na nota divulgada à imprensa.
Principal destino das exportações, os Emirados Árabes Unidos importaram 548 toneladas em fevereiro, saldo 2,6% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão Estados Unidos, com 503 toneladas (+93,4%), Chile, com 299 toneladas (-8,9%), México, recentemente aberto, com 252 toneladas, Japão, com 215 toneladas (+111,3%) e Angola, que retomou as importações, com 203 toneladas.
Ovos capixabas tem recorde nos preços
Segundo a pesquisadora de ovos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) é parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura da USP, “Quando considerados os dados diários, o preço médio da caixa com 30 dúzias dos ovos brancos do tipo extra, a retirar (FOB), em Santa Maria de Jetibá (ES), importante polo produtor do Espírito Santo, atingiu R$ 236,21 em 20 de fevereiro último, recorde real da série do Cepea. No caso dos ovos vermelhos, a média diária fechou em R$ 276,54/caixa, também um recorde real.”
“Embora o volume de exportações brasileiras para os Estados Unidos tenha aumentado 62% entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, fazendo com que o país subisse da sexta para a terceira posição no ranking dos principais destinos de ovos do Brasil, ainda é cedo para afirmar que isso terá um impacto significativo na oferta de ovos no mercado interno e/ou nos preços”, prossegue.
“Ressalta-se que a exportação brasileira de ovos representa menos de 1% da produção total, o que significa que a maior parte da produção permanece no mercado doméstico. Se a situação nos Estados Unidos se prolongar e o país continuar aumentando suas importações de ovos brasileiros de maneira consistente, isso poderá afetar a disponibilidade brasileira e, então, causar algum impacto sobre os preços domésticos. No entanto, para que isso ocorra, o comércio entre os dois países deve tornar-se rotineiro, com os Estados Unidos constituindo um importante comprador de ovos do Brasil e representando forte estímulo ao aumento da produção nacional”, conclui a pesquisadora.