A medida, prejudicial aos trabalhadores e aos aposentados, e caso seja implementada trará uma inflação abaixo da realidade, prejudicando à correção da perda do poder de compra dos assalariados e dos idosos que recebem aposentadorias

“Alimento é muito clima. Se eu tenho uma seca muito forte, uma alteração climática muito grande, vai subir o preço de alimento. E não adianta eu aumentar os juros que não vai fazer chover. Então eu só vou prejudicar a economia”, disse o médico Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que está ocupando interinamente o cargo de presidente da República.
A proposta de excluir os itens que mais corroem o poder de compra dos trabalhadores e aposentados, os alimentos e os aumentos da energia elétrica, para que se tenha um índice inflacionário fora da realidade e baixo não é nova. No dia 23 de abril de 2014, no último ano do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff o jornal O Globo deu a seguinte manchete parecida com a declaração de Alckmin: “Técnicos do governo estudam tirar alimentos do cálculo da inflação.”
Mascarar a inflação
De acordo com a empresa pública responsável pela divulgação de notícias governamentais, a Agência Brasil, a proposta de mascarar a inflação real, através do expurgo de dois itens importantes no cálculo inflacionário, é para facilitar o Banco Central vir a reduzir as taxas de juros. “Então, eles [banco central dos EUA] excluem do cálculo [alimentos e energia]. Eu acho que é uma medida inteligente, e a gente realmente [pode] aumentar os juros naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação”, disse o médico que está ocupando interinamente a presidência da República.
E insistiu na sua justificativa de mascarar a inflação verdadeira: “A redução da inflação é essencial. A inflação não é neutra socialmente, ela não é neutra, ela atinge muito mais o assalariado, que tem reajuste, normalmente, uma vez por ano e vê todo mês, todo dia, o seu salário perder o poder aquisitivo. Então, entendo, sim, que é uma medida que deve ser estudada pelo Banco Central brasileiro”, de acordo com relato da Agência Brasil.
“Alto nível de cretinice”, disse em 2014 ex-diretor do BC para mesma proposta
Na mesma reportagem de O Globo de 2014 e que pode ser conferida clicando neste link está declaração do ex-diretor do Banco Central (BC), Alexandre Schwartsman: “(A ideia) tem um alto nível de cretinice. Acho surpreendente que as pessoas voltem a debater isso neste momento, porque parece que elas não prestam atenção nos números.”
Segundo o jornal carioca, Schwartsman: se referia aos dados do núcleo da inflação, ou seja, o número que despreza a alta dos alimentos e das tarifas de serviços públicos. Outro a criticar a proposta de 2014 e que foi requentada por Alckmin nesta última segunda-feira (24), foi o ex-secretário do Tesouro Nacional Carlos Kawall, na época economista-chefe do Banco Safra..
Para Kawall, retirar a inflação dos alimentos (em 2914 a proposta não incluía expurgar os aumentos da energia elétrica) “Seria trocar seis por meia dúzia e ainda na hora errada. O único resultado seria mais um arranhão na credibilidade do país. Se olharmos os dados do passado, a inflação brasileira não tem um histórico de pressão por alimento.”