fbpx
Início > Insatisfação no PL do ES coincide com circulação do dossiê “laranjal do PL capixaba de Magno Malta”

Insatisfação no PL do ES coincide com circulação do dossiê “laranjal do PL capixaba de Magno Malta”


O documento não tem nenhuma novidade “secreta”, a não ser a extração de dados oficiais do TSE sobre gastos milionários nas últimas eleições municipais, confrontados com a imposição de usar serviços de determinada gráfica e agência de publicidade, para atuar nas campanhas e utilizarem  recursos


Insatisfação no PL do ES coincide com circulação do dossiê “laranjal do PL capixaba de Magno Malta” | Imagem ilustrativa gerada por IA pelo Graftti News

Brigas internas, como vem ocorrendo entre os grupos que apoiam e os que são contrários ao Governo Lula, dentro do PSOL,já foram expostas publicamente pelos próprios filiados do partido de esquerda. Mas, rachas dentro de agremiações políticas não são exclusividades da esquerda. Os de direita, como o Partido Liberal (PL), que tem entre seus membros o inelegível ex-presidente Bolsonaro, também tem seus rachas internos, como é o que vem ocorrendo no PL no Espírito Santo.

Após insatisfações internas dentro do PL no Espírito Santo, o partido da direita conservadora vem sendo alvo de acusação interna de uso da agremiação pelo seu presidente regional, o senador Magno Malta, sem o uso de democracia. Simultaneamente ás insatisfações, passou a circular nas redes sociais, principalmente em grupos onde há políticos capixabas, um documento em PDF. O documento tem como título “Dossiê laranjal do PL capixaba de Magno Malta”.

Insatisfação

A insatisfação dentro do partido de direita está nas imposições de nomes da escolha pessoal de Malta para cargos com destaque político nas eleições do ano que vem, em detrimento de outros que se habilitam para concorrer ao pleito por esses mesmos cargos. Um desses desacordos está na alegação de que Magno Malta não vem dando espaço para quem deseja concorrer ao Senado em 2026. O ex-deputado federal Carlos Manato, que almeja concorrer nas eleições como candidato a senador, vem demonstrando-se insatisfeito com a escolha pessoal do dirigente regional da agremiação, que já anunciou o deputado bolsonarista federal Gilvan da Federal como o seu preferido para disputar o Senado.

Nas recentes declarações de Magno Malta à imprensa capixaba, Manato praticamente já está fora do PL, assinalando que o ex-candidato derrotado por duas vezes ao Governo do Espírito Santo, apoiou políticos de outros partidos nas últimas eleições municipais de 2024. Na exposição de sua insatisfação, o atual presidente regional do PL acusa o ex-deputado, de ter apoiado nomes de outros partidos em vários municípios capixabas e com isso alega que ele acabou se distanciando dentro da agremiação partidária.

Valores movimentados em campanhas eleitorais pelo PL

Foi após esses desentendimentos internos que começou a circular, nas redes sociais e principalmente através do WhatsApp o “Dossiê laranjal do PL capixaba de Magno Malta”. O documento não tem nenhuma revelação secreta ou bombástica que não seja conhecida, mas reúne e destaca valores movimentados na campanha eleitoral das recentes eleições municipais. Os dados do dossiê foram extraídos do oficial “Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais”, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que são dados públicos e acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro caso citado no dossiê é o de Linhares, onde havia na ocasião dois candidatos fortes a se elegerem, que foi o prefeito Bruno Margotto Marianelli (Republicanos) concorrendo à reeleição e o então deputado estadual Lucas Scaramussa (Podemos),que acabou se elegendo prefeito. Ainda concorria ao mesmo cargo o servidor publico aposentado Wilson Ramos Filho (PT), mas que acabou desistindo. O relatório aponta que, mesmo sem chance de vencer, o candidato do PL, o engenheiro agrónomo  Mauro Rossoni Junior, que foi uma indicação de Magno Malta, acabou sendo beneficiado com R$ 2,15 milhões de dinheiro vindo do fundo partidário.

O valor bem acima do vencedor do pleito e do segundo colocado, onde o ex-deputado estadual e o atual prefeito recebeu de fundo partidário do Podemos R$ 1,5 milhão e o então prefeito derrotado na sua tentativa de reeleição, Bruno Marianelli recebeu de fundo partidário do Republicanos R$ 850.000,00 e mais R$ 50mil doado pelo MDB.

“Maurinho Rossoni disputou a prefeitura de Linhares pelo PL e chamou atenção pela quantia gasto na campanha. O diretório do Partido Liberal (PL), presidido pelo senador Magno Malta gastou mais de 9 milhões de reais com apenas 5 cidades (Linhares, São Mateus, Vitória, Serra e Vila Velha). O caso de Linhares é o que mais se destaca , pois o candidato na época, Maurinho Rossoni gastou R$ R$ 2.150.000,00 milhões e obteve 6.679 votos (7,85 %, dos votos válidos), um investimento considerado bastante alto”, diz texto do dossiê.

E prossegue: “Maurinho Rossoni é engenheiro agrônomo, militante do PL e muito próximo ao senador Magno Malta, que chancelou sua candidatura. Conforme apuramos, não é um nome popular e muito menos conhecido na região, o que pode não justificar o recebimento dessa quantia milionária que poderia ter sido usada em municípios que o PL realmente tinha chances de vencer as eleições”.

“Um correligionário do PL de Linhares que não quis se identificar, com receio de represálias, afirmou que todo mundo sabia que o nome de Maurinho não era competitivo, inclusive senador Magno Malta: Antes da campanha iniciar, conversamos com o Magno Malta que Maurinho não aparecia bem nas pesquisas e não tinha a menor possibilidade de crescer. Poderíamos ter feito uma boa composição, mas o senador foi irredutível e até ameaçou penalizar os diretórios que insistissem na ideia de compor. Ninguém entendeu muito bem e tivemos um gasto volumoso para um candidato com baixa performance’”, relato o documento que circula no meio político capixaba.

Citação de candidaturas em São Mateus, Serra, Vitória e Vila Velha

Em seguida o dossiê analisa quatro candidaturas fracassadas do PL em  São Mateus, Serra, Vitória e Vila Velha , “que receberam repasses milionários do PL estadual, mas não tiveram desempenhos convincentes.”  E começa a citar os repasses elevados do fundo partidário em cada um desses municípios: Veja o que relata o documento:

  • São Mateus: “Situação semelhante à de Linhares. O candidato do município foi Nillis Castberg, que delcarou ao TSE ter como profissão “Sacerdote ou Membro de Ordem ou Seita Religiosa, recebeu do PL nacional R$ 908.000,00 e teve desempenho muito baixo, com 3.375 votos (5,25 % dos votos válidos). Nillis é mais um candidato desconhecido e que não tinha a mínima chance de levar o pleito.”
  • Serra: “O ex-vereador Igor Elson foi quem disputou as eleições para prefeito da cidade pelo Partido Liberal que enviou R$ 1.660.000,00 para sua campanha. Ele teve 18.751votos (7,66 %), ficando em 4° lugar na disputa. Hoje, ele está nomeado no gabinete do senador Magno Malta e recebe R$ 8.045,90 mensais.”
  • Vila Velha: “Apesar do segundo lugar alcançado pelo candidato Coronel Ramalho, numa disputa polarizada com o prefeito Arnaldo Borgo, que se reelegeu com 79%, o desempenho do candidato do PL não condiz com os R$ R$ 2.782.000,00 enviados pela direção do partido. A direita da cidade ainda reclama que a campanha ficou bem aquém do esperado. Falta de dinheiro parece que não foi o problema.” Ramalho obteve 42.096 votos (17,20 %).
  • Vitória: “A capital também não ficou de fora e o candidato a prefeito do PL, capitão Assumção, recebeu R$ R$ 2.102.000,00 do diretório nacional. Assim como nos outros municípios, o investimento foi alto e o desempenho foi muito baixo.” O candidato do PL obteve 17.946 votos, o equivalente a 9,55 %, da votação válida, apesar de o capitão ter amenizado seu discurso de extrema-direita, a aposta do partido foi porque em 2022 ele foi um dos deputados estaduais mais votado, ficando em segundo lugar com 98.669 votos.

Quem mais faturou com as eleições do PL

No final, o dossiê aborda quem mais lucrou com os elevados investimentos nas candidaturas que não vingaram. E cita dos dados, que são públicos e estão disponíveis a quem queira consultar no portal de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, acessível através deste link. “Acrópole publicidade e gráfica Jep atuaram em quase todo Estado do Espírito Santo pelo PL e nos cinco municípios em questão, as duas somadas levaram R$ 2.201.041,65, sendo R$ 998.180,00 para Acrópole e R$ 1.202.861,65 para Jep”, assinala o documento, que transforma as informações no gráfico a seguir:.

A reclamação interna dentro do PL do Espírito Santo é que não há democracia, nem para os próprios candidatos escolherem quem ou qual empresa vai executar a publicidade de sua campanha eleitoral. O dossiê, que entre o meio político, originou-se dentro do próprio PL, “Não houve diálogo para escolha das empresas de publicidades e gráficas.”. Há queixas de que foi familiares de Malta que faziam apresentação aos candidatos das apresentar das duas empresas de publicidade.

No final, os responsáveis pela elaboração do dossiê dizem o que pretende fazer. “As fontes que organizaram toda documentação estão pedindo ajuda à sociedade, à imprensa e às autoridades públicas: ‘Temos receio de represália partidária e de perseguição: é muito dinheiro e outros interesses envolvidos. Todos os filiados sabem o que aconteceu nas eleições municipais do ano passado, mas tem receio do senador, um ditador partidário que não tem nenhum compromisso com os princípios da direita e do presidente Bolsonaro. Magno atrapalhou e vai continuar atrapalhando o PL no Brasil e no Espírito Santo.”

Na finalização há citações, sem acusar ou citar nenhum nome, de que “Dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral, temos os artigos 312 e 313, do Código Penal, que tratam sobre Peculato. Entende-se por peculato, nos termos gerais, apropriar-se indevidamente de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.” Em seguida vem uma lista de links, todos compostos dos dados públicos do TSE, de onde as informações foram extraídas.

Outro lado

O presidente regional do PL no Espírito e senador Magno Malta foi procurado através de sua assessoria, com perguntas enviadas por e-mail., desde a última sexta-feira, 28 de março. Até o fechamento desta edição, seis dias após, não foi enviada a resposta com o posicionamento. Assim que o senador decidir enviar o seu ponto-de-vista sobre esse tema, esta matéria será atalizada, acrescentando o que diz o senador.