
O médico sanitarista Nésio Fernandes, secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) fez um pronunciamento histórico durante audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde do governo Bolsonaro sobre vacinação de crianças de 5 a 11 anos nesta última terça-feira (4). “Faço um apelo para que não misturem Deus nas tragédias humanas e nos debates sobre métodos científicos. A variante Ômicron não veio de Deus”, disse o secretário capixaba.
A fala de Nésio Fernandes teve ampla repercussão diante da submissão aos caprichos negacionista do presidente Jair Bolsonaro (PL) à vacina, ao Covid e à vida humana de médicos, militares e pastores evangélicos bolsonaristas, integrantes do atual governo e que apoiam os desmandos do presidente. O debate ocorreu na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília. Há duas semanas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu aval para a aplicação da vacina da Pfizer em crianças na faixa etária em questão.
Até o momento, pelo menos 20 Estados e o Distrito Federal já adiantaram que não vão exigir o pedido médico no ato da vacinação. São eles: Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. O governo negacionista de Bolsonaro tenta minar de todas as formas a vacinação, assim como já fez com o atraso na compra de vacinas e que levou à morte mais de 600 mil brasileiros.
Apelo
“Faço um apelo para que não misturem Deus nas tragédias humanas e nos debates sobre métodos científicos. A variante Ômicron não veio de Deus. Veio da desigualdade na distribuição das vacinas. Veio da incapacidade do mundo em apostar igualitariamente na vacinação como principal medida primária em doenças infectocontagiosas. Assim tampouco as variações Gama veio de Deus. Veio do desastre da adoção da imunidade de rebanho como opção do comando central do Brasil. As decisões políticas do Ministério da Saúde são, na prática, medicina em larga escala”, disse Nésio Fernandes.
“As vacinas não são experimentais, passam pela fase de um, dois, três. Tiveram autorização das agências reguladoras dos principais países do mundo. Civilizados. E no Brasil pela Anvisa. A variante Ômicron , ela implica num desafio de ampliar a cobertura vacinal a mais de 90% da população total. E isso somente será alcançado com a cobertura vacinal das crianças”, completou. Na abertura, o secretário disse que “a vacinação tem importância para as crianças não merercem o vírus. Elas merecem uma proteção segura, cientificamente respaldada, aprovada pelas agências reguladoras. Elas merecem vacina
De acordo com a Secretaria de Saúde capixaba, Nésio Fernandes é médico sanitarista, especialista em Medicina Preventiva e Social e em Administração em Saúde, titulado e certificado pela Associação Médica Brasileira e pela Associação Brasileira de Medicina Preventiva e Administração em Saúde.