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Neste final de semana é discutida adoção de salvaguardas para preservação do Jongo no ES


Entre as manifestações culturais do povo capixaba mais famosas, o Jongo corre o risco de extinção, já que seus participantes são formados por adultos acima de 29 anos, sendo a maioria de idosos. Não há participação de crianças, adolescentes e jovens


Neste final de semana é discutida adoção de salvaguardas para preservação do Jongo no ES | Foto: Divulgação/Iphan

Neste final de semana estão sendo discutidas ações para a preservação do Jongo no Espírito Santo, incluindo a criação do Comitê Gestor de Salvaguarda, que reúne 23 grupos tradicionais do Espírito Santo, que corre o risco de extinção. O Jongo envolve canto, dança e percussão de tambores. De origem africana, chegou ao Brasil através dos negros escravos.

O encontro com esse objetivo, denominado Reunião de Articulação do Jogo, foi iniciado nesta última sexta-feira (14) e prossegue neste sábado (15) e se encerra neste domingo (16), é promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Local, horário e endereço do encontro estão abaixo, em “Serviço.”

O Jongo está presente tanto no Norte do Espírito Santo, nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra, quanto no Sul, em Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta e Presidente Kennedy. De acordo com nota distribuída pelo Ipahn, o encontro está reunindo representantes do próprio Instituto, do Comitê Gestor de Salvaguarda do Jongo Capixaba e de outras instituições para debater estratégias de preservação e valorização dessa manifestação cultural, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2005.

Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) do Jongo no Espírito Santo, realizado pelo Iphan entre 2013 e 2014 | Vídeo: YouTube

No decorrer do evento também estão sendo discutidos o histórico da Política de Salvaguarda do Jongo no Estado, as demandas dos grupos e propostas de ação. A expectativa é que o encontro fortaleça as políticas públicas e contribua para a valorização dessa tradição.

Segundo o Ipahn, desde 2015 estão sendo desenvolvidas ações para a preservação do Jongo no Espírito Santo, incluindo a criação do Comitê Gestor de Salvaguarda, que reúne 23 grupos tradicionais do Estado. Atualmente, está em andamento a elaboração do Plano de Salvaguarda, um documento que reúne ações e diretrizes para a proteção, valorização e transmissão do bem cultural imaterial.  

O Jongo está presente no Norte e no Sul do Espírito Santo | Foto: Reprodução/Atlas do Folclore Capixaba/Secult e Sebrae-ES

Jongo

O Jongo, também conhecido como Caxambu, é considerado a raiz mais primitiva do samba, difundiu-se nas regiões cafeicultoras, fato que explica a sua existência quase que exclusiva no Sudeste brasileiro. Participam  mulheres vestidas com trajes típicos e homens, que tocam tambores e um reco-reco. Jongo, Caxambu (as duas formas mais usuais no Estado capixaba), Batuque, Tambor ou Catambá são variantes denominativas de uma dança de roda de origem angolana encontrada em várias partes do Espírito Santo.Jongo e caxambu são nomes para a mesma dança afro-brasileira, que tem origem na região do Congo, em Angola

Além de ser uma dança,ainda é um ritual em que originariamente prevalecia a função mágica, com fortes elementos de candomblé, tendo sofrido alterações a partir da incorporação sincrética da louvação a santos católicos. Constitui, ainda hoje, uma das mais ricas heranças da cultura negra presentes no folclore capixaba.

Normalmente os grupos, tanto de Jongo como de Caxambu, se compõem de cerca de 30 integrantes, homens, mulheres e crianças. A vestimenta é simples: calça comprida e camisa para os homens e saia rodada e blusa para as mulheres, enquanto os enfeites e adereços seguem o gosto de cada mestre.

Conheça detalhes da idade, nível de escolaridade e faixa de renda dos participantes do Jongo no ES | Imagem: Atlas do Folclore Capixaba/Secult/Sebrae-ES/2009

Dança sentido anti-horário

Essas danças têm, como uma de suas características, a movimentação dos dançarinos no sentido anti-horário, ao som de canto e música instrumental. Os passos na roda são dados deslizando-se para frente, de forma alternada, o pé esquerdo e o direito. Ao final de cada passo dá-se um pequeno pulo. Ao aproximarem o pé que está atrás, os dançarinos de vez em quando giram o corpo, principalmente os que estão diante das mulheres que dançam.

O canto caracteriza-se pela alternância contínua de um solista. Os instrumentos mais freqüentes são os tambores, a puíta ou cuíca, e a angóia (chocalho com sementes ou pedrinhas), além de casaca e caixas. Os tambores têm nomes próprios de acordo com a forma e o material usado na fabricação: o caxambu é o tambor maior, afunilado, sobre o qual monta o tocador enquanto toca, batendo o couro com as duas mãos, e o candongueiro é um tambor menor, que é carregado pelo tocador

Luz de fogueira

Os músicos tocam os tambores fora da roda dos brincantes, sem sair do lugar. À noite, por tradição, à luz de uma fogueira que ilumina a roda e esquenta os tambores, o mestre jongueiro tira o ponto com o pedido de licença. Os pontos, classificados em

licença, louvação, visaria, demanda, “encante” e despedida, são tirados em verso (sob a forma de dísticos) ou em prosa e formulados em linguagem simbólica e enigmática.

Os grupos de Jongo e Caxambu localizados são devotos de Nossa Senhora das Neves, Santo Antônio, São Benedito, São Bartolomeu, São Sebastião e Santa Isabel. Essa manifestação da cultura popular envolve diretamente cerca de 270 pessoas, que são os legítimos portadores dessa tradição.

Saiba detalhes dos grupos de Jongo do ES | Imagem: Atlas do Folclore Capixaba/Secult/Sebrae-ES/2009

Componentes são adultos e idosos

O último trabalho detalhado sobre o jongo, entre outras atividades de expressão cultural popular do Espírito Santo, foi feito em 2009, quando a Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae) divulgaram o “Atlas do Folclore Capixaba”. Naquela época esse documento já trazia um alerta para a sobrevivência do jongo. A atividade não estava sendo exercida nem por crianças, adolescentes e por pessoas com a faixa etária de 18 a 28 anos, mas apenas acima de 29 anos, sendo a maioria com mais de 62 anos.

Em um questionário feito com os participantes para a publicação do Atlas, foi perguntado quais as formas de transmissão do patrimônio cultura e foi onde 100% dos entrevistados declaram ser “de pai para filho.” Com relação ao nível de escolaridade dos componentes do jongo, a pesquisa contida na publicação detectou que entre os mestres 33% não0 tinham nenhuma escolaridade e os 67% restantes possuíam o ensino fundamental. Já a média dos componentes era de 100% com ensino fundamental.

Localização dos grupos de Caxambu em atividade

  1. Caxambu Santa Cruz – Comunidade Quilombola do Monte Alegre em Cachoeiro de Itapemirim, Pacotuba, Comunidade de Monte Alegre, zona rural – CEP 29323-000 – Latitude: 20°45’45.00”S Longitude: 41°15’15.00”O

Mestra Maria Laurinda Adão

2. Caxambu Tapera em Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alegre, Distrito de São Vicente, CEP 29300-000 – Latitude: 20°51’3.50”S Longitude: 41° 7’0.10”O

Mestra Canuta Caetano

3. Caxambu da Velha Rita em Cachoeiro de Itapemirim, Bairro Zumbi

Rua Lourival da Silva – nº 49 – CEP 29300-220 – Latitude: 20°51’ 3.50”S

Longitude: 41° 7’0.10”O

Mestra Niercina Ferreira de Paula Silva (Isolina)

4. Caxambu do Horizonte em Alegre, Fazenda Jacutinga – CEP 29500-

000 – Latitude: 20°45’40.25”S Longitude: 41°31’59.39”O

Mestre Antônio Raimundo da Silva

Localização dos grupos de Caxambu em atividade

1. Jongo Cacimbinha e Boa Esperança em Presidente Kennedy, Cacimbinha, zona rural – CEP 29350-000 – Latitude:

21° 6’5.44”S Longitude: 41° 2’38.98”O

Mestra Edna Maria das Neves dos Santos

2. Jongo Mestre Wilson Bento em Itapemirim, Bairro Santo Antônio, Vila do Itapemirim – CEP 29010-350 – Latitude:

21° 0’38.77”S Longitude: 40°49’51.71”O

Mestres Geralda de Paula Bertolino, Anísio Bento e Cleusa Maria da

Silva Gomes (Kekê)

3. Jongo de São Benedito em São Mateus, Bairro Sernamby – CEP 29930-

000 – Latitude: 18°43’0.16”S Longitude: 39°51’33.80”O

Mestra Dilzete Nascimento (Nega)

4. Jongo de São Benedito das Piabas em Conceição da Barra, Distrito de Barreiras – CEP 29965-000 – Latitude: 18°34’4.76”S Longitude:

39°44’53.06”O

Mestre Benedito Paixão Gomes dos Santos (Santos Reis)

5. Jongo de São Bartolomeu em Conceição da Barra, Rua Marcílio

Dias I Charlon, nº 98, Bairro Marcílio Dias – CEP 29965-000 – Latitude:

18°34’4.76”S Longitude: 39°44’53.06”O

Mestra Carmem Jacinta de Almeida Solto

6. Jongo de Itaúnas São Benedito e São Sebastião em Conceição

da Barra, Vila de Itaúnas – CEP 29965-000 Latitude: 18°25’12.85”S

Longitude: 39°42’27.21”O

Mestre Benedito Conceição dos Santos (Preto Véio)

7. Jongo de São Cristóvão em São Mateus, Rodovia BR 101 Norte,

km 18 – Comunidade de São Cristóvão – CEP 29930-000 – Latitude:

18°44’24.57”S Longitude: 39°51’40.05”O

Mestre Antônio Nascimento

8. Jongo de São Benedito em São Mateus, Comunidade São Benedito (Beira-Rio) – CEP 29933-520 – Latitude: 18°42’45.62”S Longitude:

39°51’18.93”O

Mestra Maria Justina

Serviço:

Reunião de Articulação do Jongo 

Data: 14 a 16 de março

Horários:

  • Sexta-feira/14/03, das 17h às 21h  (já realizado)
  • Sábado/15/03, das 8h às 17h
  • Domingo/16/03, das 8h às 12h30  

Local: Hotel Transamérica Fit

Endereço: Av. Nossa Sra. da Penha, 2656 – Santa Luíza, Vitória (ES)

Para download:

Atlas do Folclore Capixaba/Secult/ Sebrae/2009