O fotografo mais conceituada em todo o mundo veio as redes sociais nesta quinta-feira (27) para agradecer a escolha de seu nome como o samba-enredo da Escola de Samba Boa Vista, a grande vencedora do Carnaval do ES 2025 e ressaltar a importância e a relevância do MST
O mais conceituado e respeitado fotógrafo em todo o mundo, Sebastião Salgado, veio a público nesta quinta-feira (27), através de suas redes sociais, para fazer um agradecimento à Escola de Samba Independentes de Boa Vista, a campeã do Carnaval Capixaba 2025. Na mesma oportunidade e sem citar o nome do prefeito de Cariacica (ES), Euclério Sampaio (União Brasil), ele diz que ficou feliz em ter “a participação de uma pequena ala do movimento sem-terra, porque eu respeito profundamente o movimento sem-terra.”
Na manhã desta última quarta-feira, o prefeito de Cariacica, município onde fica a sede da Escola de Samba Boa Vista, que teve neste ano o samba-enredo em homenagem a Sebastião Salgado, foi vítima de ataques feitos por Sampaio. Pela manhã ele disse que iria tirar a verba de apoio à escola, que neste ano foi R$ 650 mil. No final da tarde, após muitas críticas, onde foi acusado de não ter lido e se informado sobre o perfil de Salgado e sua ligação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), seus assessores disseram que o prefeito havia voltado atrás.
O que diz Salgado
Prezados amigos e amigos, eu sou o fotógrafo Sebastião Salgado, eu venho agradecer a homenagem maravilhosa que eu recebi da Escola de Samba Boa Vista, em Cariacica, no Carnaval de Vitória, no Espírito Santo. Foi uma homenagem sublime, pura, homenagem ligada ao povo do Espírito Santo, com samba enredo maravilhoso, lindo samba, agradeço muito”
E prossegue: “Fiquei felicíssimo com a participação de uma pequena ala do movimento sem em terra, porque eu respeito profundamente o movimento sem em terra. O movimento sem-terra é uma das maiores organizações sociais de toda a América Latina (AL), talvez a maior nos últimos 100 anos, e conseguiu alocar centenas de milhares, senão milhões de famílias, tendo uma terra para trabalhar, vivendo de uma forma digna e criando propriedades rurais ecológicas, produzindo produtos sem venenos, produtos puros e plantando árvores.”
E completa: “Talvez o movimento sem-terra seja o maior plantador de árvores do Brasil. Então, fiquei felicíssimo e mais feliz ainda que nós ganhamos o Carnaval. Olha, agradeço demais a todos os membros da Boa Vista, pelo bom gosto, pela simplicidade e pela maneira fenomenal de chegar ao povo. Muito obrigado.”
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O que é o MST
Demonstrando desconhecimento sobre o que é e a importância do MST para os trabalhadores rurais, o prefeito Euclério Sampaio fez graves acusações aos sem-terra, sem apresentar provas. Textualmente, o prefeito de Cariacica escreveu: ““Não compactuo com homenagens a movimentos criminosos, que espalham o terror e a tristeza no campo.” Esse desconhecimento do prefeito soibre o que é o MST fez com ele levasse duras críticas nas redes sociais.
Em sua página na internet, o MST lembra a pessoas que espalham fake news, como foi a “nota de repúdio” do prefeito, que os trabalhadores sem-terra apenas reivindicam, como é preconizado nas legislação em vigor no Brasil, terras improdutivas. O próprio MST ressalta que não faz reinvindicação de apropriação de terras consideradas como produtivas.
“Assentamentos são territórios conquistados pelas famílias trabalhadoras Sem Terra. Eram latifúndios improdutivos, grilados, com crimes ambientais e/ou trabalhistas que, pela luta, foram transformados em território de reprodução social das famílias camponesas. As famílias assentadas vivem, trabalham e produzem principalmente alimentos, como objetivo principal a soberania alimentar, ou seja, garantir a produção de alimentos saudáveis, acessíveis ao povo brasileiro, seja em nível municipal, estadual ou mesmo nacional”, diz o MST em sua página.
“Os assentados também recriam socialmente esse território através das Escolas do Campo, das práticas populares de saúde, rádios comunitárias e da cultura popular, nos municípios, regiões e estados onde estamos inseridos. Cotidianamente, buscamos enfrentar o patriarcado, o machismo, a LGBTfobia e o racismo, e garantir condições às mulheres e a juventude como sujeitos políticos da construção desses territórios.”, continua.
E prossegue: “Para isso, a cooperação é um princípio elementar, exercitado cotidianamente. Hoje temos 160 cooperativas e 190 associações, as quais possuem 120 agroindústrias de pequeno e médio porte. Essas empresas sociais atuam em diferentes níveis, da produção, agroindustrialização até a comercialização de alimentos. O amadurecimento dessas formas organizativas conduziu a criação de cadeias produtivas da Reforma Agrária, com produção em diferentes estados.”
“As cadeias produtivas mais consolidadas nos assentamentos do MST são do arroz, leite, carne, café, cacau, sementes, mandioca, cana-de-açúcar e grãos. Todavia, a diversidade de alimentos produzidos em cada região do país passa das diversas centenas, abastecendo feiras locais e regionais, cestas e cooperativas de consumo, mercados locais e, principalmente, a alimentação escolar e de outros entes públicos, como asilos, presídios, quartéis, etc”, completa.